O Lava pés – Refrigério para a alma

Qual o significado do lava pés realizado pelo Senhor Jesus Cristo aos seus discipulos? Será este um ritual a ser imitado ao pé da letra ou tem um grande significado espiritual para a igreja? Veja neste estudo a lição que o Mestre nos ensina neste evento realizado há mais de dois mil anos.

O Refrigério para a Alma

Antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, e havendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. Enquanto ceavam, tendo já o Diabo posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, que o traísse,Jesus, sabendo que o Pai lhe entregara tudo nas mãos, e que viera de Deus e para Deus voltava, levantou-se da ceia, tirou o manto e, tomando uma toalha, cingiu-se.
Depois deitou água na bacia e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido. Chegou, pois, a Simão Pedro, que lhe disse: Senhor, lavas-me os pés a mim?
Respondeu-lhe Jesus: O que eu faço, tu não o sabes agora; mas depois o entenderás.
Tornou-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Replicou-lhe Jesus: Se eu não te lavar, não tens parte comigo.
Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça.
Respondeu-lhe Jesus: Aquele que se banhou não necessita de lavar senão os pés, pois no mais está todo limpo; e vós estais limpos, mas não todos.
Pois ele sabia quem o estava traindo; por isso disse: Nem todos estais limpos. Ora, depois de lhes ter lavado os pés, tomou o manto, tornou a reclinar-se à mesa e perguntou-lhes: Entendeis o que vos tenho feito? Vós me chamais Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros.
Porque eu vos dei exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.
Em verdade, em verdade vos digo: Não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes.
Não falo de todos vós; eu conheço aqueles que escolhi; mas para que se cumprisse a escritura: O que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar. Desde já no-lo digo, antes que suceda, para que, quando suceder, creiais que eu sou.
Em verdade, em verdade vos digo: Quem receber aquele que eu enviar, a mim me recebe; e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou. João 13:1-20

O “lava pés” realizado pelo nosso Senhor Jesus é muito mais que uma lição de humildade. Como o próprio Pedro não havia entendido o que o Senhor estava fazendo, assim muitas pessoas até hoje não entendem o verdadeiro significado e por isso acham que isso é um ritual que deve ser praticado literalmente.

Para entendermos o que Jesus estava fazendo precisamos observar o porquê e quando o lava pés era praticado na antiguidade. Vemos referencia do ato de lavar os pés desde o livro de Genesis, ou seja, na antiguidade,  Gênesis 18:4, Gênesis 19:2, Gênesis 24:32, Gênesis 43:24 e também em I Samuel 25:41.

O lava pés era uma pratica de hospitalidade, onde o anfitrião disponibilizava uma bacia com água e um empregado ou escravo para lavar os pés do visitante, que tinha os pés sujos da jornada. Por causa das sandálias abertas que eram usadas era comum os pés se impregnarem de pó e sujeira durante a viagem ou caminhada.

O ato de não oferecer uma bacia com água a uma visita era um sinal de péssima hospitalidade, inclusive mencionado pelo próprio Senhor em João 7.44. O lava pés é também, em sua essência, um costume tipicamente judaico, que está ligado à purificação.

A igreja de Roma interpretando de maneira literal o lava pés, o transformou em um ritual que é geralmente praticado na semana santa, como se isso fosse uma prova de humildade ou obediência a alguma ordenança do Senhor.

Como a bíblia explica a própria bíblia, vemos nos evangelhos e nas epístolas amplas instruções a respeito do batismo e da Ceia do Senhor, mas nenhuma palavra sobre o lava pés como uma ordenança da igreja. Isto é prova que as igrejas do Novo Testamento não praticavam o lava pés.

Como não há prova de ordenança bíblica para que a igreja pratique o lava pés como um ritual, então entendemos que há uma lição espiritual que Jesus quis ensinar aos seus discípulos e estes a igreja, vamos então a tais lições.

A PRIMEIRA LIÇÃO NO LAVA PÉS

Vamos a primeira lição de Cristo no lava pés:

Tirou a vestimenta: Jesus se esvaziou de si mesmo e se dispôs a ser um servo. Ele nos ensina sobre a necessidade de despojar-se de tudo por amor ao próximo.

Tomando uma toalha cingiu-se com ela: Jesus põe o avental para servir. “Aquele que era de condição divina, humilhou-se a si mesmo” (Fl 2, 6-8).

Colocou água na bacia: Jesus usa um costume de hospitalidade da época e repete um gesto que era feito pelos escravos ou pelos empregados. Isso foi a causa de espanto de Pedro. A água limpa assim como a palavra de Deus.

E começou a lavar os pés dos discípulos. Para lavar os pés Jesus se inclina, olha, percebe e acolhe a reação de cada discípulo. Com o lavar os pés, Jesus nos ensina a acolher os outros com alegria e sem discriminações.

Enxugando com a toalha que tinha na cintura: Jesus enxuga os pés calejados, rudes e descalços de seus discípulos. São muitos os gestos que Jesus nos convida a praticar para amenizar os calos das dores de tantos irmãos: visita a doentes e idosos, dar atenção aos afastados com amor sem acusações, uma palavra de ânimo aos desesperados.

Quando Ele disse “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu fiz (e não o que eu fiz), façais vós também.” (Jo 13.15). Ou seja, Ele sendo Deus se fez servo, sendo o maior se fez o menor para servir aos seus servos, essa é a primeira lição de Jesus, ser humilde a ponto de se despir de si mesmo em favor do próximo.

A SEGUNDA LIÇÃO NO LAVA PÉS

A segunda lição, que passa despercebida por muitos, tem a haver com a água e o pó dos pés. Assim como os pés ficam em contato com o pó do chão, assim muitos estão com seus pés sujos com o pó deste mundo, pecados, decepções, mágoas etc.

Quando levamos a palavra de Deus a estas pessoas estamos levando a água que lava os pés feridos e sujos. Não adianta apontar o pé e dizer onde está à sujeira ou ferida, basta fazer como o Senhor, lavar os pés sem discriminações, sem acusações, a palavra de Deus é a água que limpa, e este ato de lavar os pés deve ser feito com amor, assim como o Senhor por amor se fez servo por nós.

Quando lavamos os pés dos pecadores estamos lhe proporcionado um verdadeiro refrigério espiritual a alma, que talvez esteja tão aflita e ferida pelos caminhos que passou. O ministério que não tira a poeira dos pés dos pecadores, não está cumprindo o ide de Jesus, não tem amor pelo próximo.

Devemos ser a igreja do lava pés, não o literal, não com rituais, não com palavras e belos sermões, não que um belo sermão não seja importante, mas o que mais importa é a atitude de amor e humildade amando o próximo, oferecendo aos pés cansados, sujos e feridos, um refrigério que somente pode ser proporcionado com amor e com a palavra de Deus que é a água pura.

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Pastor Flávio Gabriel

Tem 46 anos, casado, com ministério pastoral há 25 anos, Bacharel em Teologia, Pastor na Igreja Evangélica Vida com Vida em Nilópolis, RJ, Brasil, é Professor da EBD e de Teologia, fundador e Professor do Seminário de Escatologia Bereiano e autor dos Livros: Igrejas Evangélicas que se Tornam Seitas Perigosas, OVNIS ETS E A BÍBLIA e Como Não Amar Esta Mulher?

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